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A Engraçada Substituição de Carga Útil da Operação Spaceward

Uma drástica mudança de órbita fez um satélite nascer do zero!!!

A Operação Spaceward, conhecida como o primeiro lançamento orbital a partir do Brasil em duas décadas possui uma polêmica que passou quase despercebida, as cargas úteis do voo que foram então divulgadas eram os dois sistemas de navegação inercial, a carga secreta da Castro Leite Consultoria e 3 cubesats, sendo eles o Conasat-1, primeiro satélite de uma constelação desenvolvida pelo INPE, o GOLDS-UFSC, sequencia direta do Floripasat-1, e o satélite até então nomeado como Projeto Cientistas de Alcântara, que foi desenvolvido pelos grupos de trabalho DARTilab e BAITES, que mais tarde se revelou ser o PionBR-2.

A configuração inicial consistia na utilização de um sistema de transporte de 6U da ISIS Space, onde 3U seriam utilizados para o GOLDS-UFSC com tamanho 2U, e o outro 1U para um CubeSat do INPE. Os restantes 3U do sistema de transporte ficou para a Innospace alocar clientes deles, tirando o sistema de navegação inercial da CLC e a carga secreta da mesma empresa, todas as cargas citadas foram oferecidas sem custo para a Agência Espacial Brasileira, essa que ficaria responsável por oferecer para as universidades e institutos que quisessem esse espaço.

Essas eram as cargas úteis planejadas, enquanto o foguete tinha uma órbita prevista de 500Km, essa órbita daria as cargas úteis um tempo de vida útil de 1 ano, aproximadamente, como satélites desse porte não possuem capacidade propulsiva e o arrasto a essa altitude é fraco, porém presente, ao longo desse ano as orbitais decairiam e os satélites reentrariam, os experimentos de navegação inercial ficarão acoplados no segundo estágio do veículo e utilizarão do sistema de comunicação interna do mesmo para enviar seus dados a terra.

Porém foi revelado que a Innospace alterou a órbita do lançamento para 300km apenas, e seus motivos não foram esclarecidos até então. O que reduziu o tempo de vida das missões para apenas 3 semanas, com isso o INPE, que estava planejando uma missão de longo prazo e desenvolver sua constelação de coleta de dados ambientais, caiu fora, e a UFSC que estava desenvolvendo o seu satélite a muitos anos não queria perdê-lo de forma tão rápida, também era uma missão de duração um pouco mais estendida, com isso foi feito uma das maiores gambiarras do Programa Espacial Brasileiro.

Na imagem temos o GOLD-UFSC, o Floripasat-2a e Floripasat-2b, respectivamente. Imagem: Notícias da UFSC

Então ficou decidido não se enviar o modelo de voo (FM) do GOLDS-UFSC, enviando-se no lugar o modelo de engenharia (EQM) do GOLDS-UFSC. Trata-se de um satélite idêntico, sendo no entanto o modelo utilizado para testes mais exigentes, e não seria para voo. Esta cópia do satélite seria utilizada para operações com telecomandos e telemetria, antes de enviar comandos para o GOLDS-UFSC em órbita.

Com a desistência do INPE, ficou aberto uma vaga de 1 unidade de cubesat (1U), foi então que em tempo recorde de 3 semanas de trabalho, utilizando como base a plataforma desenvolvida para o Floripasat-1, criou-se um substituto, assim o satélite baseado no Floripasat-1 se chama Floripasat-2a, e o clone de testes do GOLDS-UFSC foi chamado de Floripasat-2b.

Floripasat-1, lançado como carga secundária do CBERS-4A em 2019. Imagem: Wikipédia

O espaço de 3U que a Innospace deixou para clientes comerciais ficou ocupada pelo satélite Solares-S2, desenvolvido pela empresa indiana Grahaa Space, um satélite 1U, com o objetivo de demonstrar a tecnologia de pequenos satélites para a observação da radiação solar, para explorar a utilização de satélites amadores para investigação científica, não se sabe o valor do acordo de lançamento, mas suspeita-se ser de graça, devido o fato de ser um lançamento experimental com um motor de tecnologia experimental.

O Satélite da Universidade Federal do Maranhão, Jussara-K (1U), não fez parte do grupo de cargas da Agência Espacial Brasileira, mas foi um acordo direto entre a Innospace e a UFMA, sendo sem custo nenhum para a universidade, conforme contrato assinado entre ambos, sendo assim, uma das cargas comerciais.

Contrato entre a Innospace e a UFMA para o lançamento do Jussara-K. Fonte: Diário Oficial da União

Por fim a empresa sul-coreana de bebidas BREWGURU, enviará uma carga simbólica, que ficará presa ao foguete, sendo possivelmente uma lata vazia com a logo da empresa.

Imagem ilustrativa de bebidas da marca BREWGURU

Com isso temos abaixo a lista completa de todas as Cargas Úteis do lançamento da Innospace:

Cargas que se separarão do foguete:

  • Floripasat-2a & 2b
    • Desenvolvido e operado pelo Spacelab/UFSC;
  • Jussara-K
    • Desenvolvido por: Laboratório de Eletrônica e Sistemas Espaciais Embarcados da UFMA (LABESEE/UFMA) e pela startup Epic of Sun;
  • PionBR-2 Cientistas de Alcântara
    • Desenvolvido e operado pela Startup Pion Labs e os grupos de trabalho DARTilab e BAITES
  • Solaras-S2
    • Desenvolvido e operado pela Startup Indiana Grahaa Space

Cargas que não se separarão do foguete:

  • Sistema de Navegação Inercial Pina F/D
  • Carga desconhecida Sputinik
    • Desenvolvidos pela empresa Castro Leite Consultoria
  • Sistema de Navegação Inercial Aprimorado por Navegação por Satélite (SNI-GNSS)
    • Desenvolvido pela Concert Space e Horuseye Tech, do mesmo modelo que será usada no foguete brasileiro ML-BR
  • Carga Simbólica da Marca
    • Encomendado pela empresa BREWGURU

Galeria das Cargas Úteis:

Relembrando, o lançamento ocorrerá dia 22 de Novembro, as 15 horas horário de Brasília

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